quarta-feira, março 24, 2010

"Transformar a banalidade da existência em experiência original, exclusiva, não importa a idade que você tenha"


“Estilo pessoal, imagem própria, linguagem visual, caracterização das diferenças de cada um, isso tudo só é possivél conseguir, neste novo século, com habilidade para misturar, combinar (...)”

[Costanza Pascolato]


*Pascola, Costanza
Confidencial - Segredos de Moda, Estilo e Bem-Viver/ São Paulo: Jaboticaba, 2009

terça-feira, março 23, 2010

If I ever feel better



"They say an end can be a start
Feels like I've been buried yet I'm still alive
It's like a bad day that never ends
I feel the chaos around me

A thing I don't try to deny
I'd better learn to accept that
There are things in my life that I can't control

They say love ain't nothing but a sore
I don't even know what love is
Too many tears have had to fall
Don't you know I'm so tired of it all"

(...)

Phoenix

Fuck Yeah love!



"Meu coração é um ideograma desenhado a tinta lavável em papel de seda onde caiu uma gota d'água." [Caio Fernando Abreu]

segunda-feira, março 22, 2010

Just stopped raining


"Tão estranho carregar a vida inteira no corpo, e ninguém suspeitar dos traumas, das quedas, dos medos, dos choros"

[Caio Fernando Abreu]












*Foto: Phillipp Klinger

domingo, março 21, 2010

O Gato Sou Eu - Fernando Sabino

- Aí então, eu sonhei que tinha acordado. Mas continuei dormindo.
- Continuou dormindo.
- Continuei dormindo e sonhando. Sonhei que estava acordado na cama, e ao lado, sentado na cadeira, tinha um gato me olhando.
- Que espécie de gato?
- Não sei. Um gato. Não entendo de gatos. Acho que era um gato preto. Só sei que me olhava com aqueles olhos parados de gato.
- A que você associa essa imagem?
- Não era uma imagem: era um gato.
- Estou dizendo a imagem do seu sonho: essa criação onírica simboliza uma profunda vivência interior. É uma projeção do seu subconsciente. A que você associa ela?
- Associo a um gato.
- Eu sei: aparentemente se trata de um gato. Mas na realidade o gato, no caso, é a representação de alguém. Alguém que lhe inspira um temor reverencial. Alguém que a seu ver está buscando desvendar o seu mais íntimo segredo. Quem pode ser essa alguém, me diga? Você deitado aí nesse divã como na cama em seu sonho, eu aqui nesta poltrona, o gato na cadeira… Evidentemente esse gato sou eu.
- Essa não, doutor. A ser alguém, neste caso o gato sou eu.
- Você está enganado. E o mais curioso é que, ao mesmo tempo, está certo, certíssimo, no sentido em que tudo o que se sonha não passa de uma projeção do eu.
- Uma projeção do senhor?
- Não: uma projeção do eu. O eu, no caso, é você.
- Eu sou o senhor? Qual é, doutor? Está querendo me confundir a cabeça ainda mais? Eu sou eu, o senhor é o senhor, e estamos conversados.
- Eu sei: eu sou eu, você é você. Nem eu iria pôr em dúvida uma coisa dessas, mais do que evidente. Não é isso que eu estou dizendo. Quando falo no eu, não estou falando em mim, por favor, entenda.
- Em quem o senhor está falando?
- Estou falando na individualidade do ser, que se projeta em símbolos oníricos. Dos quais o gato do seu sonho é um perfeito exemplo. E o papel que você atribui ao gato, de fiscalizá-lo o tempo todo, sem tirar os olhos de você, é o mesmo que atribui a mim. Por isso é que eu digo que o gato sou eu.
- Absolutamente. O senhor vai me desculpar, doutor, mas o gato sou eu, e disto não abro mão.
- Vamos analisar essa sua resistência em admitir que eu seja o gato.
- Então vamos começar pela sua insistência em querer ser o gato. Afinal de contas, de quem é o sonho: meu ou seu?
- Seu. Quanto a isto, não há a menor dúvida.
- Pois então? Sendo assim, não há também a menor dúvida de que o gato sou eu, não é mesmo?
- Aí é que você se engana. O gato é você, na sua opinião. E sua opinião é suspeita, porque formulada pelo consciente. Ao passo que, no subconsciente, o gato é uma representação do que significo para você. Portanto, insisto em dizer: o gato sou eu.
- E eu insisto em dizer: não é.
- Sou.
- Não é. O senhor por favor saia do meu gato, que senão eu não volto mais aqui.
- Observe como inconscientemente você está rejeitando minha interferência na sua vida através de uma chantagem…
- Que é que há, doutor? Está me chamando de chantagista?
- É um modo de dizer. Não vai nisso nenhuma ofensa. Quero me referir à sua recusa de que eu participe de sua vida, mesmo num sonho, na forma de um gato.
- Pois se o gato sou eu! Daqui a pouco o senhor vai querer cobrar consulta até dentro do meu sonho.
- Olhe aí, não estou dizendo? Olhe a sua reação: isso é a sua maneira de me agredir. Não posso cobrar consulta dentro do seu sonho enquanto eu assumir nele a forma de um gato.
- Já disse que o gato sou eu!
- Sou eu!
- Ponha-se para fora do meu gato!
- Ponha-se para fora daqui!
- Sou eu!
- Eu!
- Eu! Eu!
- Eu! Eu! Eu!

Quebrando o jejum

A ultima vez que passei por aqui meus dias ainda se dividiam entre crianças e estudo, mais crianças do que estudo, na realidade. Tem nove meses que minha rotina deixou de ser crianças-escola-milk-crianças-karatê-crianças.. e mesmo assim não apareci por aqui....
Logo que cheguei, escrevi um texto imenso sobre como estava me sentindo, minhas impressões sobre as coisas, pessoas, lugares que há um ano eu não via. Não sei porque não postei.... Hoje já não é de grande valia....
Nesse meio tempo antes e depois de voltar, eu criei algumas manias. O Twitter é uma ferramenta fundamental no meu dia, minha timeline é recheada de informações. Sigo aos que interessam, aos que falam assuntos que me agradam, sigo amigos, acompanho notícias do mundo inteiro. Meu primeiro bom dia é pra tela de login no Twitter, depois eu falo com o resto do mundo. Já o meu twitter mesmo, a minha timeline, os meus 140 caracteres é na sua maioria de conteúdo que não diz nada, compartilho links que tenham me chamado atenção, mas não faço A diferença, mas não é o meu que importa, o meu é pessoal tanto que é bloqueado....o mais importante mesmo são as pessoas que eu sigo, jornais, revistas, blogs, especialistas e por ia vai..... Outra ferramenta que estou aprendendo usar e estou cada dia mais entrosada é o Google Reader. Só acho que a dinâmica podia ser melhor, as informações ficam todas coladas umas nas outras, mas sei la, de repente sou eu que não aprendeu a organizar ainda.
Orkut e Facebook mantenho para manter contato. Eu acredito que seja uma boa forma de não perder algumas pessoas especiais, quando o fuso horário e a quilometragem não ajudam muito. Crie um Formspring, tenho, desde mil novecentos e bolinha, um Fotolog que de vez em tanto eu passo e atualizo, tem um Flickr que queria atualizar mais....Tenho um Myspace super desatualizado, que eu crie só por conta de umas 3 ou 4 pessoas.
Ah, e hoje eu abri uma conta no Photobooth. Pra postar fotos diárias, pode ser da webcam mesmo, que é o mais legal! Enfim, é essa a minha vida virtual atual.

Pronto, quebrei o jejum por aqui.

quinta-feira, setembro 04, 2008

tentando reviver esse blog

hoje minha amiga me mandou o link do blog dela e vi que ela tinha o meu blog adicionado... nossa, nem sei qual foi a ultima vez que postei...a vida tem me levado por caminhos que nao cruzam com as ruas da internet... tenho visto mais rostos de criancas do que livros... acho que pouco a pouco consigo voltar a blogar. ainda tem o problema dos acentos. nao os acho, nao sei como fazer. mas vamos descobrindo com o tempo. 

sexta-feira, abril 18, 2008

na ativa

Após um longo e tenebroso inverno estou de volta. Agora em nova fase, iniciando uma carreira, mas sem pensar em abandonar o meio acadêmico. Esse espaço é de suma importância para mim, aqui tenho registros pessoais, textos, poesias, crônicas, comentários. No próximo post vou me re-apresentar a vocês. Pois, quando se encera um clico e inicia-se outro, nasce uma nova pessoa. Um novo eu. Diferente e igual.

quarta-feira, novembro 14, 2007

Quereres

"O quereres e o estares sempre a fim do que em mim é de mim tão desigual. Faz-me querer-te bem, querer-te mal, bem a ti, mal ao quereres assim. Infinitivamente pessoal, e eu querendo querer-te sem ter fim. E querendo te aprender o total do querer que há e do que não há em mim"
[Caetano Veloso]

Riobaldo

"Sempre sei, realmente. Só o que eu quis, todo o tempo, o que eu pelejei para achar, era uma só coisa- a inteira- cujo significado e vislumbrado dela eu vejo que sempre tive. A que era: que existe uma receita, a norma dum caminho certo, estreito, de cada uma pessoa viver- e essa pauta cada um tem- mas a gente mesmo, no comum, não sabe encontrar; como é que, sozinho, por si, alguém ia poder encontrar e saber?"
[Grande Sertões Veredas - J. Guimarães Rosa]

sábado, agosto 04, 2007

Títulos. Por que eles são tão importantes?

Se tem uma coisa que eu não sou boa é em escrever títulos. E é incrível como ele é peça fundamental de um texto. É exatamente aquilo que vai te dizer se é ou não interessante ler aquele texto. Por mim nenhum texto teria título. Escrevo o texto em dez minutos e o resto do tempo é pensando em que nome irei dar a ele. Pra que nome? Nome é uma coisa muito pessoal. Veja bem, uma mãe olha para cara da criança recém nascida e decide, movida por uma razão obscura, que a aquele pequeno ser vai se chamar Eudorico José. A criatura vai ter que carregar esse título, essa praga o resto da vida. O mesmo penso em relação aos nomes que damos aos texto. Movidos por uma razão inexplicável escolhemos o título que iremos dar ao nosso recém parido texto. Se o nome for bom, ótimo. Parabéns para você. Agora, se for péssimo. O pobre do texto está condenado, assim como Eudorico José, a carregar essa fardo e ser lembrado como o “texto de nome horrível”. Sou contra. Se o texto tivesse oportunidade de falar, deixaria-o escolher a melhor de ser chamado. Mas como eles precisam de mim. Coitados, sofrem calados.

sexta-feira, agosto 03, 2007

Oh Coração

Oh coração, por que és tão confuso? Inexplicável para mim? Me diz quanto tempo mais sentirei-me assim, perdida, iludida? Não existem mais ilusões a serem sofridas. As decisões já foram esclarecidas. Novos caminhos já foram traçados. Mas me diz, por que ainda sinto esse vazio? Essa esperança? E essa dor no peito? Vai passar?
Me liberta dessa dor, desse vicio. Desse desejo continuo. Das noites mal dormidas. Das lagrimas perdidas. Me traz a cura, o remédio, a solução para essa doença. Me traz uma nova paixão.

quinta-feira, agosto 02, 2007

Charles Bukowski

"...sabia que tinha alguma coisa fora do lugar em mim. Eu era uma soma de todos os erros: bebia, era preguiçoso, não tinha um deus, idéias, ideais e nem me preocupava com política. Eu estava ancorado no nada, uma espécie de não-ser. E aceitava isso. Eu estava longe de ser uma pessoa interessante. Não queria ser uma pessoa interessante, dava muito trabalho. Eu queria mesmo um espaço sossegado e obscuro para viver a minha solidão. Por outro lado, de porre, eu abria o berreiro, pirava, queria tudo e não conseguia nada. Um tipo de comportamento não se casava com o outro. Contudo, pouco me importava..."

segunda-feira, julho 23, 2007

Saber ler

Outro dia conversando com umas amigas descobrir que não sou a única que fica pensando sobre o fardo que é saber ler.
Mesmo sem querer, nós lemos.
Tente andar na rua e não ler os outdoors, folhear uma revista e não memorizar alguma daquelas palavras.
Tente não ler o adesivo do carro parado na frente do seu. O cardápio em cima da mesa. O letreiro do puteiro.
Tente não ler livro do cara que está sentado ao seu lado no ônibus. A carta que sua amiga recebeu e mesmo se esforçando para você não ler, ela acaba vacilando e você passa a vista.
É impossível.
Decididamente impossível.
Estamos condenados até a morte à leitura.

domingo, julho 22, 2007

Descansar

"Eu quero encontrar a minha paz
Que eu já não sei dos perigos
que essa vida me traz...
Só sei que a gente inventa amor,
e dor e tudo que nos satisfaz..."
[canto dos malditos na terra do nunca]

quinta-feira, julho 19, 2007

Sobre o amor

"Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, se veste bem e é fã do Caetano. Isso são referências, só. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera. Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos tem às pencas, bons motoristas e bons pais de família, está assim, ó. Mas só o seu amor consegue ser do jeito que ele é."

Martha Medeiros

quarta-feira, maio 09, 2007

Litlle Miss Sunshine


Segundo o mini dicionário Aurélio, uma das definições para a palavra família é “conjuntos de tipos com as mesmas características básicas”. Segundo algumas pessoas, a palavra família tem além de seu significado um peso e uma força muito grande em cima das pessoas. É possível abstrair e perdoar erros de alguém, pelo simples fato dele ser da sua família. É comum ouvir pais, mães, irmãos dizerem aos outros “esquece isso, ele é seu pai/ irmão/ tio”.
O que seria um exemplo de família perfeita? Seria aquela sem brigas, conflitos, onde as pessoas sorriem o tempo inteiro para as outras e nunca as magoam? Ou seria justamente o contrario? A família perfeita não seria aquela onde cada individuo que a compõem tem características próprias, vontades e manias? Que se incomodam com o jeito do outro, que condena certos gostos? Mas, que a pesar de todas as diferenças tem um momento só deles, onde as diferenças são deixadas de lado e o momento é apreciado sem moderação? Onde ali, naquele momento, é possível perceber, que por trás de tantas diferenças, na verdade, eles são tão iguais? Seria essa a verdadeira família?
Em “Litlle Miss SUNSHINE” o modelo de família apresentado é de uma família onde os indivíduos estão tão ocupados em conquistarem seus objetivos, seja em vira piloto da força aérea americana, para isso fazer voto de silêncio, seja, escrevendo nove passos para se obter o sucesso, mesmo sendo nitidamente um fracassado, seja cheirando heroína para chamar atenção e mostrar que não é necessário um asilo. Todos estão tão ocupados com suas vidinhas, que esquecem de olhar para o lado, até que a pequenina Oliver é chamada para participar de um concurso de Miss.
O tio suicida, o irmão mudo, o avô drogado, o pai obcecado pelo sucesso e uma mãe neurótica por verdade vêem suas vidas darem uma guinada dentro de uma Kombi velha. Percebem a necessidade da união e o poder de um sonho. Percebem também como é bom existir a liberdade para ser quem você é e poder conviver e ser uma família feliz.
“Litlle Miss SUNSHINE” é como uma tapa na cara, sutil, doce e engraçado. Mas nos faz pensar em conceito de família, até que ponto estamos dispostos a dividir nossas vidas como pessoas que não escolhemos, simplesmente fomos impostas a aceitá-las. Nos faz entender que diferenças fazem parte desse difícil conjunto que é um lar familiar, mas, que nenhuma dessas diferenças superam o laço de sangue.
O filme é vencedor do Oscar 2007, com o melhor ator coadjuvante “Alan Arkin” e melhor roteiro original “Michel Arndt”. O elenco do filme é composto por Greg Kinnear, (pai), Steve Carell (tio suicida), Tomi Collette (a mãe), Paul Dano (o irmão mudo), Alan Arkin (o avô drogado) e finalmente a pequena Abigail Breslin, que é o fio condutor dessa estória. O titulo do filme em português é “Pequena Miss Sunshine” e encontra-se disponível em todas as locadoras do Brasil.









fotos tiradas do google imagens
Texto: Mariana Riccio

De volta?

Abandonei por meses esse blog. Pretendo retomá-lo.
.
Até breve!

quinta-feira, dezembro 28, 2006

2006 / 2007

Uma vida inteira pela frente. Mil vontades a manifestar. Um desejo preste a se realizar. Outros deixados para trás. Ilusões. Muitas decepções. Muito aprendizado. Sou fruto de quedas. De erros. De acertos. Sou fruto dos meus sonhos. Dos meus pés no chão. Sou firme e coerente e ao mesmo tempo inconseqüente. Sempre aprendo da pior forma. Cheguei à conclusão de que é a melhor forma. Dói. Sangra. Mas cura. Não ilude. Sou uma pessoa boa. Com ótimas intenções. Mas sei ser sarcástica. Dramática. Dissimulada. Todo mundo sabe. Não sabe? Sabe sim. Pise no calo. Trate com indiferença. Faça de besta. Ou melhor. Faça de otário. Não dou dois dias para a pessoa aprender. Foi assim comigo e é assim com todos. A gente só aprende a bater, quando apanha. Nessa guerra com a vida, até que aprendi a dar umas porradas. Mais meu rosto ainda queima com o ardor das pancadas. Vão passar. Tudo passa. Tudo vai passar. Tudo passará. Depois de anos, sinto um peso que fora instalado nos meus ombros indo embora. Sinto uma liberdade de sentimentos se apossando do meu corpo, da minha alma. Alma essa, que parece flutuar dentro de mim. Neste momento sou um misto de sensações. Ansiedade. Nervosismo. Felicidade. Alivio. Satisfação. Tristeza. Sou pura emoção. A flor da pele. Uma bomba preste a explodir. Nesse misto de euforia com medo e com raiva. Ainda levando uma pitada de amargor e de amor. Esse ano foi um ano cheio de revelações. De decepções. De emoções. E de conquistas. Decepções com pessoas e coisas. Casamento, formaturas, nascimentos. A minha viagem. Fecho este ano com essa conquista. E abro 2007 iniciando essa vitória. Muitas perspectivas para essa viagem. Que Malta seja um grande aprendizado. Os esotéricos, espíritas, budistas, entre outros, anunciaram que 2007 será um ano de grandes mudanças. Mudanças que os humanos talvez não sejam capaz de compreender. Revoltas da natureza. Torço que a minha vida mude muito e pra melhor. Alias, torço para que todos tenham um ano de mudanças, mudar é sempre bom. Renova. Alivia.

Um feliz 2007 a todos.

quinta-feira, outubro 19, 2006

Lobos em pele de cordeiro

A maioria das mulheres passam mais da metade das suas vidas esperando, sonhando e idealizando o seu casamento, para depois, de tanto sufoco, descobrir que os seus maridos são monstros. Lobos em pele de cordeiro. É isso que muitos maridos são: lobos! É alarmante o número de mulheres que são espancadas por seus próprios companheiros, é assustador e revoltante.

Segundo um estudo feito pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, em todo o país foram registrados, nas Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher, 55 mil casos de violência doméstica contra a mulher, só no ano de 2005. Se incluirmos os casos registrados em outras delegacias, esse número aumenta para 160,8 mil. Estima-se que esse número somado aos casos que não são denunciados chegue há dois milhões de mulheres violentadas pelos seus maridos lobos.

Me pergunto como alguém pode casar com um monstro desses? Durante o namoro ele não demonstrou ou deu a entender que era violento? Lobos em pele que cordeiro, isso é o que eles são. Lobos.

Dados da Organização Mundial da Saúde, OMS, mostram que esses lobos são os responsáveis por 7% da morte de mulheres entre 15 e 44 anos no mundo todo. A pessoa com quem ela decidiu dividir sua vida, suas alegrias e tristezas é uma das principais responsáveis por sua morte.
Uma pesquisa realizada pelo site Copo de Leite, http://www.copodeleite.rits.org.br/, apontou que 66% das mulheres entrevistadas sofreram violência doméstica. Quem foram os agressores? Isso mesmo, eles, os lobos. Seus próprios maridos ou companheiros. A Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados, a Seade, divulgou que, a cada quatro minutos uma mulher é agredida, e que 70% dessas agressões são dentro de casa. Mais uma vez a mesma pergunta: por quem elas são agredidas? Mais uma vez, a mesma resposta: por seus parceiros. Os seus lobos disfarçados.

Depois de tantos dados, tanto sangue e tanta morte, o governo resolveu interferir, meter a colher no casamento dos outros. No dia 07 de agosto deste ano, Lula sancionou uma lei que protege as mulheres. A Lei Maria da Penha.

Maria da Penha é uma mulher de 60 anos de idade, que ficou tetraplégica, durante os anos 80, após sofrer duas tentativas de assassinato. Quem tentou matá-la? Sim, foi o seu esposo. Hoje ela é líder de movimentos em defesa dos direitos da mulher. Muito justa a homenagem. Nove anos depois seu agressor foi preso e condenado a 8 anos de prisão. Hoje está solto. Livre para espancar outras mulheres.

A nova lei vem pra proteger as mulheres como Maria Penha, vem para proteger todas as Marias, Joanas, Silvanas e Cicranas dos seus lobos. Agora os lobinhos deixaram de receber penas alternativas, como pagamento de cestas básicas e multas, e serão presos como qualquer bandido comum. O processo, o julgamento e a execução das causas seguirão as normas dos Códigos de Processos Penal e Processo Civil. A lei considera violência contra mulher, agressões físicas, psicológicas, sexuais, patrimoniais e morais.
Torço para essa lei não ser apenas mais uma. Que não caia no esquecimento como outras leis que temos por ai. E que se faça valer para todos, e não para alguns.

Se somos todos iguais perante a lei, que os lobos ricos paguem pelos seus erros igual aos lobos pobres. Que as mulheres pobres e ricas consigam fazer os seus maridos lobos pagarem o que devem, sem maiores ou menores benefícios.

Agora no fim, paro para pensar, que injustiça cometi com os lobos, que são duros e cruéis por instinto, por sobrevivência. Para sobreviver. Enquanto esses homens são cruéis e inescrupulosos sem uma explicação lógica, descente. E mesmo que as tivessem, nada justificaria.
Mariana Riccio
(artigo opinativo)